De passagem
Quando nos cruzamos com alguém na rua dificilmente aceitamos que o estejamos a fazer com quem connosco passou pela estranha experiência de passageiro milenar. De facto, todos os outros que nos parecem anónimos transportam consigo o improvável desígnio da dobragem milenar.
Ser passageiro de um milénio implica arrastar consigo, simultaneamente, toda a história dos últimos 1000 anos e todas as possibilidades dos próximos 1000. De gente assim esperar-se-ia qualquer coisa de surpreendente, de radical, de violentamente estranho. E, todavia, António Chaves demonstra-nos o contrário.
Na sua antropologia da viragem ele identifica um conjunto de personagens-tipo que ratificam uma teoria da normalidade: afinal não se passa nada, afinal não se passou nada.Tudo continuou a ser como dantes. Este fotógrafo antropólogo é, no entanto, tentado pela manipulação. A cor dos seus personagens adquire tonalidades pop. A voz é samplada em sonoridades drum‘n bass e house. E todos nós ficamos tranquilos. E com vontade de dançar, de entrar na dança das identidades.
O trabalho que António Chaves vem desenvolvendo há mais de dois anos representa um esforço de apreensão do quotidiano e da normalidade através daquilo que nas sociedades da imagem atribui identidade: o rosto (por vezes com busto) e a voz. António Chaves fixou caras do Porto e de Roterdão (algumas tipificadas pela profissão: o bombeiro, o sinaleiro, o polícia, a peixeira…), apanhadas de supresa pela câmara indiscreta. À imagem juntou um pequeno depoimento oral que reforça a identidade-estranha do personagem. Tudo misturado (mistura é o termo multimedia para esse projecto) resulta numa galeria pós-pop que reforça a natureza paradoxal da aldeia global.
Paulo Cunha e Silva
Porto, 2001
passageiros do milénio - 2001
Este projecto fez parte das programações oficiais das duas Capitais Europeias da Cultura em 2001 ( Porto e Roterdão ).
O objectivo deste projecto é mostrar que todos nós, simples passageiros do tempo, somos únicos e especiais, e que as diferenças de religião, raça, etc, em vez de serem um factor de separação são na realidade factor de enriquecimento. Nas experiências de vida, anseios e sonhos revelados nas entrevistas e fotografias, apesar da particularidade e unicidade de cada um, observamos uma identidade comum que transcende fronteiras.
Funcionalidade completa apenas em desktops e portáteis.
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texto Paulo Cunha e Silva
millennium passengers - 2001
This project was part of the official program of the two European Culture Capitals in 2001 (Porto and Rotterdam).
The purpose of this project is to show that all of us, simple time passengers, are unique and special, and differences in religion, race, etc., rather than being a factor of separation, are in fact a factor of enrichment. Through the life experiences, aspirations, and dreams revealed in the interviews and photographs, despite the particularity and uniqueness of each person, we observe a common identity that transcends borders.
Full functionality is available only on desktop and laptop computers.
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